Sobre a 2ª Temporada de The Handmaid’s Tale

Oi!

Vocês já sabem o quanto eu AMO a série The Handmaid’s Tale, já fiz um post sobre a primeira temporada e um vídeo dando 5 motivos para todo mundo assistir! Agora que a 2ª temporada acabou, resolvi vir falar um pouco sobre ela, ou seja, esse post conterá spoilers de toda a série, caso você ainda não tenha assistido, eu indico que você pare de ler agora, veja todos os 13 episódios da 2ª temporada e volte aqui para  terminar de ler!


CONTÉM (MUITOS) SPOILERS


A segunda temporada causou muita polêmica entre os fãs da série. Alguns odiaram e outros amaram. Sinceramente, eu gostei muito do caminho que a história tomou, não tinha nem imaginado que dividiria tanto as opiniões. Eu escolhi alguns pontos específicos para falar aqui, pois se eu fosse falar de tudo daria um livro hahah

Muita gente não gostou das tentativas de fuga de June, achou que era enrolação e que a história ficou muito arrastada. Confesso que também achei que eles deram uma desacelerada no ritmo que estávamos acostumados na primeira temporada, mas não achei ruim. Acho que essa tentativa de fuga foi necessária, pois até então estávamos completamente pessimistas sobre o futuro em Gilead. Aquilo nos deu um momento de esperança, eles nos mostraram que sim, existem possibilidades de saída. A cena em que ela descobre uma rádio da resistência, acalmou tanto ela quanto a nós. Porém, de que forma June conseguiria lutar contra esse sistema estando longe? Se ela conseguisse escapar, seria muito mais difícil dela confrontar Gilead, até por que ela estaria no Canadá, como Moira e Luke, apenas “assistindo” tudo de fora, sem poder fazer nada a respeito. Nessa primeira tentativa de fuga, vemos que ela consegue deixar sua filha Hannah para trás, e que quando tudo dá errado, ela fica desolada. Aquela cena em que ela está de acorrentada em uma sala encarando a roupa vermelha de aia que terá que vestir novamente, chegou a me dar arrepios. Porém, como vimos, no último episodio June toma uma decisão diferente. Devido a tudo o que ela passou nos outros 12 episódios, ela mudou muito, e isso também mudou o seu jeito de pensar. Naqueles 10 segundos em que ela hesita em entrar no carro de fuga com Emily, são os segundos em que ela reflete no que vai ser melhor para sua filha e no que será melhor para todas as mulheres de Gilead. Como será que June se sentiria fora de Gilead, vivendo uma vida normal, sabendo o que todas as mulheres de lá estão passando? Há várias teorias sobre o que se passou na cabeça de June antes dela decidir ficar, alguns dizem que ela ficou pela sua filha Hannah, ou que ela ficou pelas outras mulheres, ou até por ela mesma. Eu acho que todos essas opções fazem parte da decisão final de June.

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“Não sou livre enquanto outra mulher for prisioneira, mesmo que as correntes dela sejam diferentes das minhas.” Audre Lorde

Voltando para o início da temporada, quando June retorna a Gilead, muitas coisas acontecem. Para mim, uma das partes em que eu fiquei mais chocada, foi aquele “jogo psicológico” que a Tia Lydia faz com ela. No momento em que ela separa a Offred da June, é como se ela estivesse quebrando ao meio a mesma pessoa. Isso destrói com o psicológico dela, afinal June é culpada de todos os eventos ruins que aconteceram com os outros, como a família que a abrigou (o marido morreu, a esposa se tornou aia e o filho foi para adoção). Para tirar essa culpa que está nos ombros de June, ela deve “voltar a ser” Offred, pois ela é uma boa menina que não fez nada disso, logo poderá permanecer o resto de sua gravidez em casa. Como uma mulher consegue fazer isso com outra? Qual o nível de lavagem cerebral que Tia Lydia sofreu para conseguir fazer isso, além de outras coisas horríveis, com outras mulheres? Fiquei com muito nojo dela, mas não podemos ignorar o fato de que ela também é uma vítima da sociedade. Dizer isso não a torna uma pessoa boa e não anula todas as atrocidades que ela fez, mas eu espero ansiosamente por um episódio que mostre o passado da Tia Lydia e nos conte como fizeram ela chegar ao seu limite.

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Outra personagem que teve um grande destaque nessa temporada foi Serena. Na primeira temporada eu não conseguia entender qual era a dela, em alguns momentos ela fazia algo legal, e em outros era extremamente má. Nessa temporada não foi tão diferente, vimos ela tentando se aproximar de June no início, já que ela precisava manter um “ambiente harmonioso” para o bebê. Mas quando começamos a pensar que ela tinha mudado, ela volta a ser maldosa e expulsa June da casa assim que ela dá a luz. É difícil entender a confusão que se passa na cabeça dela, ao mesmo tempo em que ela só quer ter um filho “seu”, ela faz tudo para conseguir isso, mesmo que isso signifique  perder todos os seus direitos como mulher, viver silenciada e ajudar o seu marido a estuprar uma mulher mensalmente. Para mim, os momentos mais maldosos de Serena na 2ª temporada são quando ela impede June de amamentar e ver a própria filha, e quando ela induz Fred a estuprá-la brutalmente, pois isso “ajudaria o bebê nascer logo”. Essa foi considerada uma das cenas mais fortes da série. Mas por que, se já houveram inúmeras cenas de estupro? Para mim, a diferença não foi apenas a resistência de June, isso também foi muito pesado. Nas outras vezes ela finge que nada está acontecendo, e que ela não está ali, tenta pensar em outras coisas. Dessa vez, ela está completamente presente, vivendo e sentindo tudo aquilo. Não que isso torne esse estupro menos ruim, mas o torna mais difícil de assistir. Assim que acaba, é como se ela estivesse morta, como se aquele corpo não fosse mais dela. Essa foi uma das cenas mais difíceis de assistir, e depois eu vi que não foi só comigo, muitas pessoas sentiram o mesmo. Voltando para a personagem Serena, ela evolui muito até o fim da temporada. Tanto que, no último episódio, ela se une com as outras esposas, enfrenta os comandantes, perde um dedo e entrega sua filha, o único motivo que ela tinha para suportar tudo o que já passou, a June. Não acho que isso fez ela deixar de ser uma pessoa menos má, afinal não tem como mudar as coisas terríveis que ela já fez, porém nos mostra que ela está mudando a forma de pensar, e que ela não é mais a mesma. Por mais que isso não anule todas as maldades que ela já fez, nos dá um pouco de esperança com relação ao seu futuro.

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Além de nos aproximarmos muito da personagem Emily no início da temporada, são nos apresentadas as colônias, que até então tinham sido apenas citadas. Os flashbacks da vida dela antes do golpe são maravilhosos. Lá nós entendemos por que ela não conseguiu fugir com a esposa e como se originou a proibição de homossexuais, ou “Traidores de Gênero”. O aumento da homofobia sem punição e a tentativa de “esconder” a sexualidade foi um dos primeiros passos para que os casamentos gays fossem invalidados do dia para a noite, e para todas as pessoas da comunidade LGBT serem consideradas traidoras de gênero e ilegais. Agora, a parte que mostrava a vida daquelas mulheres nas colônias era a mais massante para mim. Talvez fosse essa a sensação que eles quisessem passar mesmo, um lugar sem esperança, onde se vai para trabalhar e morrer aos poucos, nada mais. A chegada de Janine mudou um pouco a situação, ela conseguiu fazer surgir um pouco de luz naquele lugar tão sombrio. Isso não muda o fato de ser um ambiente infeliz, e, sinceramente, as cenas que eu menos gostava de assistir.

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Por fim, eu gostaria de comentar sobre o meu episódio preferido, “Holly”, que é o de número 11. Para mim foi um episódio tão intenso, com tanta coisa acontecendo, mas depois vi vários comentários de pessoas que acharam lento, ou que foi um episódio para encher linguiça. Eu quase tive um piripaque hahah Gente, por mais que não tenha tanta ação “física”, é um dos episódios que mais nos mostra o jeito que a June pensa, afinal, ela está sozinha, no meio do nada, prestes a dar a luz.  Claro que ela tenta fugir de todos os jeitos, mas chega um momento em que ela precisa pensar no perigo que seria ter a filha sozinha. Ainda mais ela, que teve o seu primeiro bebê em um hospital com uma equipe médica e suporte da família. Como ela conseguiria dar a luz sozinha, sem nenhuma estrutura?! Acho a cena do parto fenomenal, pois por mais que ela nunca tenha feito isso, a natureza sempre acha um jeito, e, sozinha, ela consegue dar a luz a bebê Holly, que no último episódio se torna Nichole. Ela descobre em que posição ficar, quando deve fazer força e como tirar o bebê de dentro de si. Foi uma cena tão forte, tão marcante que só ela já valeu pelo episódio inteiro. Infelizmente, na hora do desespero June atirou para o alto pedindo ajuda, que não demorou a chegar e separar ela de sua filha. Outra parte interessante foi a metáfora criada com o lobo. Na hora eu não entendi direito, mas sabia que era alguma coisa relacionada ao fato de June estar sozinha, e o lobo também. Depois encontrei vários significados para isso, e um deles é relacionado ao lado selvagem de June, de quando ela mesma realiza o seu parto. Vou deixar linkado um post muito legal aqui, que fala sobre os vários significados que o lobo trouxe.

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FIM DOS SPOILERS


 

Eu sei que esse post ficou enorme, mas eu não falei metade das coisas que poderia ter escrito aqui. Para mim, a 2ª temporada não perdeu em nenhum quesito para a 1ª, as duas são igualmente maravilhosas, ricas na história e visualmente. The Handmaid’s Tale com certeza é uma série que todo mundo deveria conhecer! O que você achou da 2ª temporada? Gostou tanto quanto eu, ou ficou insatisfeito? Me conta aí!

beijoslu

 

 

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